Justiça Federal diminui pena de condenado pelo furto ao BC

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Um dos envolvidos no maior furto da história do País, contra o Banco Central (BC) em Fortaleza, teve a pena reduzida pela Justiça Federal no Ceará. O paulista Marcos Ribeiro Suppi terá que cumprir apenas seis anos de reclusão, em regime inicial no semiaberto, por decisão da 12ª Vara Federal, disponibilizada na edição do Diário da Justiça Eletrônico do último dia 3 de maio.

Suppi tinha uma pena de 10 anos e nove meses de reclusão – pelos crimes de formação de quadrilha, uso de documento falso e lavagem de dinheiro -, a ser cumprida em regime inicial fechado.

Entretanto, a defesa do réu ingressou com um habeas corpus no Superior de Tribunal de Justiça (STJ) contra a condenação por lavagem de dinheiro, e a sentença ficou suspensa enquanto não havia julgamento.

O STJ concedeu o habeas corpus, com o argumento de que a condenação foi anterior à Lei nº 12.850/2013, que define o crime de organização criminosa (predisposição para a lavagem de dinheiro). Diante da decisão, a 12ª Vara Federal liquidou a pena do condenado e alterou o regime de cumprimento da pena.

Participação

Marcos Suppi foi preso junto de Antônio Edimar Bezerra, Davi Silvano da Silva (o ‘Véi Davi’), Flávio Augusto Mattioli e Marcos de França, em uma residência na Avenida Perimetral, no bairro Mondubim, em Fortaleza, em 28 de setembro de 2005 – pouco mais de um mês após o furto milionário. Com o grupo, foram apreendidos R$ 12,2 milhões em espécie, que estavam dentro de três veículos, de um guarda-roupa, de malas, de sacos de plástico, de um buraco e de uma caixa de isopor; além de uma pistola calibre Ponto 40, munição, passagens de ônibus e avião e documentos em nome de terceiros.

Conforme a investigação, o paulista veio à capital cearense a convite de Marcos de França e chegou no dia da sua prisão, com uma identidade com o nome falso de Genilson Alves Feitosa. Suppi tinha a missão de ajudar no transporte de valores e receberia R$ 50 mil pelo trabalho.

Na sentença condenatória, proferida em junho de 2007, a Justiça Federal considerou que o réu veio de São Paulo consciente que iria coletar e transportar parte do valor do BC. “Recorde-se, ainda, que nas organizações criminosas não existem funções dispensáveis ou ociosas, sendo os motoristas pessoas de alta confiança da cúpula, uma vez que são eles motoristas que sabem de todos os detalhes dos crimes, bem como localização de membros da organizaçã, têm ciência do produto dos ilícitos e conduzem pessoas e bens relacionados com as atividades criminosas”, pontuou. A reportagem não conseguiu falar com a defesa do réu.

Quadrilha

Outros réus pelo furto milionário também tiveram a pena reduzida, com a retirada da condenação pelo crime de lavagem de dinheiro pela Justiça. Foi assim com Antônio Jussivan Alves dos Santos, o ‘Alemão’, considerado o principal mentor do crime e, hoje, detido em um presídio federal de segurança máxima; e Antônio Artenho da Cruz, o ‘Bode’, que participou de toda a ação criminosa – do início do planejamento até a execução e a ocultação de valores – e foi o último criminoso identificado a ser preso, apenas em outubro do ano passado.

Pelo menos 133 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF) por participação no furto de R$ 164,7 milhões. O crime ocorreu entre sexta-feira (5) e domingo (7) de agosto de 2005, após três meses de planejamento e escavações. A quadrilha, ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), cavou um túnel a partir de uma casa, chegou ao cofre do Banco Central e fugiu com o dinheiro sem levantar suspeita – o que foi descoberto apenas na segunda-feira (8).

Na noite de ontem, um dos homens que participou do furto ao Banco Central foi preso por um outro crime. Jean Ricardo Galian, de 41 anos, foi capturado no Paraná. Contra ele havia um mandado de prisão em aberto devido a um roubo ocorrido no Estado de São Paulo.

Fonte- Diário do Nordeste


DHomem

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