Dois dos quatro adolescentes retirados à força do centro Mártir Francisca, em Fortaleza e assassinados, eram de Russas

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O pai de um dos meninos retirados à força do centro Mártir Francisca, em Fortaleza, e morto na rua afirmou que o filho não pertencia a facções criminosas. ”Meu filho não fazia parte de facção nenhuma”, disse. “Meu filho não estava em festa, nem em bar, a mãe dele entregou ele à mão da Justiça. Então, eu quero Justiça, eu sou um cidadão”, afirmou.

Segundo o pai, o jovem foi preso ao ser flagrado com uma motocicleta roubada. O centro ficará fechado por um mês e foi invadido por grupos rivais aos de bairros de onde os internos eram provenientes, segundo o juiz Manoel Clístenes, da 5ª Vara da Infância e Adolescência. Na madrugada desta segunda, homens armados invadiram o abrigo e mataram quatro adolescentes.

Uma outra vítima tinha apenas 13 anos e estavava na unidade há um mês, também segundo o pai. O adolescente morava em um bairro da zona oeste da capital. No regime de semiliberdade do centro, podia ir para casa nos feriados e fins de semana. Ele tinha uma tatuagem nos dedos que fazia referência a uma facção criminosa, mas o pai disse não saber porque o menino desenhou os números. Foi “levado para essas coisas pelos amigos”, disse. Os criminosos divulgaram a foto do adolescente momentos antes de executá-lo e a imagem se espalhou nas redes sociais. O G1 não vai publicar o nome das vítimas e dos familiares por questões de segurança.

Imagem de adolescente foi divulgada antes de a criança ser assassinada (Foto: TV Globo/Reprodução)Imagem de adolescente foi divulgada antes de a criança ser assassinada (Foto: TV Globo/Reprodução)

Imagem de adolescente foi divulgada antes de a criança ser assassinada (Foto: TV Globo/Reprodução)

Na recepção do Instituto Médico Legal (IML), familiares dos jovens aguardavam o momento do reconhecimento dos corpos. Entre lágrimas, a mãe de uma das vítimas, um adolescente de 16 anos, lamentava a forma como o filho morreu. “Sabia que um dia meu filho ia ser tirado de mim, mas não precisava ser dessa forma.”

Roubo de bolsa

Jovens em centro de semiliberdade são executados em Fortaleza

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Outras duas vítimas também haviam sido transferidas há pouco tempo para o Mártir Francisca e eram da cidade de Russas. Um deles chegou à unidade na sexta-feira (10) e, segundo o tio, havia sido preso pela primeira vez. Os dois, de 15 anos, foram apanhados após roubar a bolsa de uma mulher na cidade de Aracati. Os pais destes adolescentes não foram reconhecer os corpos porque, segundo os parentes, “não estavam em condições”.

O juiz Manoel Clístenes explicou que os internos do centro, até então considerado modelo, cometeram atos infracionais menos graves. Disse ainda que não há comprovação de que participem de facções, no entanto, eram provenientes de bairros onde havia grupos rivais daqueles que atuam no Bairro Sapiranga.

Invasão e morte

Um bando armado com metralhadoras invadiu o centro durante a madrugada, retirou seis jovens e matou quatro deles. Os corpos foram encontrados na Rua Firmino Ananias, nas proximidades do centro. Conforme o juiz Clístenes, internos e familiares haviam relatado ameaças de invasão por criminosos do bairro. O Governo do Estado foi alertado sobre essas ameaças, segundo Clístenes. O juiz disse ainda que o alvo dos invasores havia fugido na unidade no sábado.

Atividades suspensas

A Justiça suspendeu as atividades do centro Mártir Francisca por 30 dias. O estado deverá apresentar em 15 dias um plano que assegure a integridade física dos jovens e, somente após a aprovação do plano, o centro poderá voltar a funcionar. Uma reunião discutiu no Palácio de Iracema na tarde desta segunda-feira (13) a chacina no centro.

Participaram da reunião a Coordenadoria da Infância do Tribunal de Justiça; o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Infância e Juventude (Caopij); a 7ª Promotoria da Infância e Juventude; o Núcleo de Atendimento Jurídico Especializado ao Adolescente em Conflito com a Lei (NUAJA/Defensoria Pública); o juiz titular da 5ª Vara da Infância e Juventude de Fortaleza e a representantes da Superintendência Estadual do Sistema Socioeducativo e do Gabinete da Vice-Governadoria.

g1


DHomem

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