Cúpula da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas é afastada

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FORTALEZA, CE, BRASIL,06.12.2017: Policiais federais fazem busca na delegacia de Narcoticos.Operação Veredas, deflagrada pela policia federal, investiga policiais civisl. (Fotos: Fábio Lima/O POVO)

FORTALEZA, CE, BRASIL,06.12.2017: Policiais federais fazem busca na delegacia de Narcoticos.Operação Veredas, deflagrada pela policia federal, investiga policiais civisl. (Fotos: Fábio Lima/O POVO)

A cúpula da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD), segunda maior delegacia especializada do Ceará, foi afastada da unidade. Investigações da Polícia Federal (PF), não detalhadas, apontam para suposta anuência dos três delegados da divisão em um esquema de extorsão a traficantes. Os crimes seriam praticados por 13 inspetores da unidade, com o apoio de outras nove pessoas de fora da Polícia Civil, classificados como informantes. Eles atuariam facilitando as extorsões.

Todos os 25 suspeitos foram conduzidos coercitivamente à sede da PF, no bairro Aeroporto, na manhã de ontem, durante a operação Vereda. Dois inspetores e quatro informantes acabaram presos, em flagrante, por porte ilegal de arma, de drogas e moeda falsa. Os nomes dos presos não foram informados. Somente os policiais permaneceram encarcerados. Na residência de um deles, foram apreendidos cerca de R$ 340 mil em espécie. Os demais suspeitos teriam pagado fiança e foram liberados.

Por determinação do juiz substituto da 12ª Vara Federal Criminal no Ceará, Danilo Dias Vasconcelos de Almeida, foram cumpridos ainda 27 mandados de busca e apreensão, na própria DCTD e nas residências dos suspeitos, na Capital e nas cidades de Caucaia e Eusébio. Dez policiais foram afastados das funções e seis foram removidos compulsoriamente para outras unidades.

O POVO teve acesso à decisão judicial que determinou as medidas. No documento sigiloso, de 47 laudas, o magistrado estabelece que a titular da divisão, Patrícia Bezerra, além do delegado Lucas Aragão, devem ser afastados. Já a delegada Ana Cláudia Nery será realocada para outra unidade, atuando em setores administrativos. As medidas têm duração de 90 dias. Os crimes investigados são: comercialização ilegal de anabolizantes, peculato, concussão, corrupção passiva, associação criminosa e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, realizada ontem, o superintendente da PF no Ceará, Delano Cerqueira Bunn, afirmou que as investigações tiveram início há cerca de um ano, a partir da delação premiada de um traficante, que havia sido preso em flagrante, pela DCTD, em maio de 2015, por importar anabolizantes de Portugal, na Europa, e revender no Ceará. O tráfico internacional levou a competência do caso à PF. O acusado afirma que foi extorquido por um grupo de inspetores, por mais de uma vez. Algumas das ações estariam registradas em vídeo. As imagens foram capturadas pelas câmeras de segurança do condomínio onde ele mora. Responsável pelo inquérito, o delegado federal Gilmar Santos Lima afirma que interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça também foram utilizadas.

Segundo ele, o inquérito revelou que a prática de extorsão se estendia a outros traficantes flagrados pela DCTD. “Havia uma tratativa entre os envolvidos e os criminosos no sentido de livrar o flagrante, com o pagamento de valores para que não ocorresse prisão”, disse, sem precisar que crimes teriam sido cometidos, já que a negociação ocorreria por aplicativos de mensagem. A PF também investiga a morte de um homem, nos últimos dias, que estaria ligado ao esquema e foi citado na investigação. (Thiago Paiva, Cláudio Ribeiro e Jéssika Sisnando)

SAIBA MAIS

A Controladoria Geral de Disciplina (CGD) instaurou procedimentos disciplinares para apurar os fatos.

 

Interinamente, a delegada Socorro Portela assumiu a DCTD. Ela terá o efetivo reforçado com policiais de outras unidades.

 

Conforme o secretário da Segurança, André Costa, caberá a ela decidir sobre a manutenção dos demais agentes da DCTD.

 

Costa disse que os policiais afastados representam uma “minoria” na divisão. A delegacia conta com cerca de 60 agentes.

 

Nome da operação, Vereda faz alusão ao livre arbítrio que levou os integrantes da quadrilha à prática dos crimes.

 

Delegado-geral, Everardo Lima afirmou que o caso tem repercussão “extremamente negativa” e trabalha para “recuperar danos”.

 

150 policiais federais atuaram na operação. Eles tiveram apoio da SSPDS  e da própria Polícia Civil.

 

O POVO adota o critério de decisão judicial ou flagrante para publicar os nomes dos investigados, como no caso em questão.


DHomem

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