Crime organizado é capaz de indicar integrantes do governo”, diz ministro

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FORTALEZA, CE, BRASIL, 15-03-2018: Ministro da Segurança Pública, Raul Jungman e o Governador do Ceará Camilo Santana realizam os primeiros levantamentos para o Centro de Inteligência Regional do Nordeste no Estado do Ceará. (Foto: Evilázio Bezerra/O POVO)

FORTALEZA, CE, BRASIL, 15-03-2018: Ministro da Segurança Pública, Raul Jungman e o Governador do Ceará Camilo Santana realizam os primeiros levantamentos para o Centro de Inteligência Regional do Nordeste no Estado do Ceará. (Foto: Evilázio Bezerra/O POVO)

Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann voltou a fazer duras críticas à política de encarceramento vigente no Brasil. Para ele, o modelo nacional de aprisionamento indistinto afeta direta e negativamente o sistema prisional e fez o crime organizado “prosperar”, avançando, até mesmo, sobre o alto escalão da Segurança Pública, em “muitos estados”, comprometendo a atividade policial.

 

“O Rio de Janeiro tem hoje 830 comunidades sob controle do crime organizado. Lá vivem 1,1 milhão de cariocas. Eles não têm direitos constitucionais. É um regime de exceção onde mandam o crime, a droga e a milícia. Quem tem o controle do território, tem o voto. Quem tem o voto elege seu representante. Quem elege o seu representante participa das escolhas dos quadros. E nós temos hoje, infelizmente, constatado que o crime organizado é capaz de indicar integrantes de governos, inclusive, na área da Segurança”, descreve.

As declarações ocorreram na manhã de ontem, durante assinatura do termo de compromisso para instalação e estruturação do Centro Regional de Inteligência Integrado do Nordeste, no Palácio da Abolição. Jungmann enfatizou que foi dentro do sistema prisional que as facções surgiram no País, e de lá elas comandam grande parte dos crimes cometidos fora dos presídios.

 

“Quando colocamos jovens na prisão, sem antecedentes criminais, sem estarem armados ou em bando, e somente porque foram encontrados com pequenas quantidades de droga, evidentemente, acho que tem de haver alguma sanção, mas jogar no regime fechado é jogar nas mãos do Comando Vermelho, do PCC, dos Amigos dos Amigos, do Sindicato do Crime, da Família do Norte. É isso que estamos fazendo. E não pode acontecer”, alertou.

 

O ministro afirmou ainda que o sistema carcerário não tem poder de ressocialização. Pelo contrário, só aumenta as fileiras do “exército de jovens” a serviço do crime organizado. “No Brasil, nós prendemos muito, mas prendemos mal”, completou.

 

“A melhor politica de segurança é a prevenção. Isso significa dizer que precisamos ter mais e melhores programas voltados para a juventude. Juventude que, dos 15 aos 24 anos, mata e morre como se estivéssemos em uma guerra civil. Precisamos assumir essas responsabilidades”, disse.

 

MARIELLE FRANCO

No início de sua fala, Raul Jungmann pediu um minuto de silêncio em razão do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol), no Rio de Janeiro. Ele classificou o crime como “bárbaro” e assumiu o “compromisso” de que os autores não ficarão impunes e que não descansaria até que todos estivessem presos.

 

BASTIDORES

 

CAMILO E EUNÍCIO

 

APROXIMAÇÃO

Em seus discursos, Camilo Santana e Eunício Oliveira demonstraram estar cada vez mais próximos. Sobre a articulação para a instalação do centro de inteligência, o governador afirmou que encontrou no senador “as portas abertas”.

APOIO

Já Eunício, por diversas vezes, se referiu a Camilo como “nosso querido governador” e destacou que seu “dever de casa no Senado” estava feito, além de assegurar apoio na obtenção de custeio para o centro, que seria fruto de uma “articulação de muitas mãos e cabeças”.

 

THIAGO PAIVA


DHomem

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