Casos de surdez relacionados aos ruídos do cotidiano chegam a 35%

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3b54dc7bcf022b08c8977c2b4ced9712_LObras, britadeiras, buzinas, sirenes e tráfego intenso. A poluição das grandes cidades não está restrita ao ar que respiramos. O barulho é um grande vilão também e as consequências da exposição diária ao que os especialistas chamam de overdose sonora podem ser irreversíveis. Dados da Sociedade Brasileira de Otologia apontam que 35% dos casos de surdez estão relacionados aos ruídos do cotidiano. Além disso, o uso exagerado e incorreto de fones de ouvido trouxe mais um alerta para os problemas auditivos.

Segundo a fonoaudióloga Isabela Carvalho, especialista em audiologia (que estuda a audição e os sons), o volume dos fones de ouvido nunca deve ultrapassar a metade da capacidade do aparelho. A partir desse ponto, o som se torna prejudicial para a audição. Isso porque a exposição a uma intensidade sonora maior que 80 decibéis (db) diariamente pode causar problemas a longo prazo.

“Uma dica importante, ainda mais para quem vive nas grandes cidades, é o uso daqueles fones maiores, que cobrem toda a orelha. Eles conseguem eliminar boa parte do ruído externo e o usuário não precisa aumentar o volume. Já aqueles fones menores e mais tradicionais não são tão eficazes no isolamento externo e são prejudiciais por reproduzirem o conteúdo muito próximo do canal auditivo”.

Diversos cuidados no dia a dia também podem prevenir a perda de audição a longo prazo. De acordo com o otorrinolaringologista Fayez Bahmad, diretor do Instituto Brasiliense de Otorrinolaringologia, o contato durante um curto período de tempo com ruídos que ultrapassam os 120 db já pode causar danos irreversíveis à audição. “É sempre importante o uso de protetores auriculares ou fones com bom isolamento do som externo em locais com muito barulho, ainda mais para quem trabalha nesses ambientes. Essa medida vale também para shows e grandes festas. Também é essencial que se evite o uso de remédios que podem trazer como efeito colateral o prejuízo à audição”, alertou.

O estudante Rogério Santos, de 23 anos, que também é músico, já teve inflamação nos tímpanos por conta da exposição ao barulho. “É uma dor insuportável. Precisei fazer tratamento, mas, até hoje, tenho muita sensibilidade nos ouvidos”.

Assim como os cuidados diários, a prevenção é um item importante para a saúde auditiva. O exame de audiometria, que informa se o paciente já apresenta problemas de audição, deve ser feito anualmente, principalmente em crianças com idade escolar e idosos com mais de 65 anos. Já no caso de trabalhadores expostos a muito barulho, a avaliação deve ser feita a cada quatro meses. “Infelizmente, é comum que as pessoas só procurem tratamento quando o caso está grave. Qualquer dano à audição vai se somando ao longo do tempo e os efeitos podem demorar a serem sentidos. Quanto mais cedo a lesão for detectada, mais fácil de ser curada. Além disso, a audiometria é rápida e pode ser feira em hospitais da rede pública”, afirmou Isabela Carvalho.

 

Com informação do Jornal O Dia

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